Em vez de sair por aí entortando canções alheias, como preferem algumas, a paulistana Giana Viscardi, de 32 anos, investiu desde cedo na porção autoral da carreira de intérprete, sem deixar de lado a brasilidade latente de sua música. “Canto desde criança, desde essa época já escrevia poemas e musiquinhas que cantava na banda da escola”, afirma a atração do projeto Domingo no museu. Ao lado de Céu, de Mariana Aydar e de outras companheiras de geração, a moça é considerada uma das jovens revelações da MPB. “Adorei a Giana Viscardi, uma italianinha de São Paulo, muito boa compositora, canta muito bem e é linda”, propagandeou o jornalista e compositor Nelson Motta.
Acompanhada de Tiago Costa (piano) e de Michael Ruzitschka (violão e arranjos), Giana apresentará, no Museu de Arte da Pampulha, parte do repertório dos discos autorais que lançou - Tinge, de 2001, e 4 3 2 1, de 2007 -, além de antecipar faixas do terceiro álbum, previsto para este ano. Releituras pessoais do cancioneiro brasileiro também estão no show.
Criada em ambiente musical, em que desfrutava da preferência do pai pelo samba, da mãe pelo jazz, e dos tios pela bossa nova, ela acabou no Berklee College of Music, em Boston, onde estudou por cinco anos, depois de passar pelo Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam), dirigido pelos integrantes do Zimbo Trio. Antes de se aprofundar no jazz americano, integrou banda de forró que se apresentava na noite paulistana.
Pesquisas
Dona de espírito aventureiro, Giana Viscardi não esconde que o interesse pelo jazz passa muito mais pela questão da voz como instrumento e da técnica em si. No Berklee, ela conheceu o violonista austríaco Michael Ruzitschka, que trouxe para o Brasil e com quem se casou. “Ele tem uma pesquisa de música brasileira muito profunda. Toca ritmos, como a chula, que muitos brasileiros não conseguem tocar. O violão de Michael é muito ritmado e isso me encaminha para a brasilidade”, avalia a jovem artista. Ao lado do marido, ela pesquisa o tambor de crioula, do Maranhão.
“Não tenho pretensão de explorar toda a riqueza dos ritmos brasileiros. Quando quero algo, entrego para o Michael, que vai fundo e depois me devolve”, explica. Discípula de Jackson do Pandeiro, Giana acabou se tornando herdeira legítima da bossa nova, mas traz no currículo curiosidades. Ela estudou na Escola de Arquitetura da USP, onde se profissionalizou como cantora. Não por acaso, além da passagem de Chico Buarque pela mesma escola, Tom Jobim jamais escondeu a paixão pela arquitetura.
Entre as canções que promete para o primeiro show na capital mineira estão As vitrines, de Chico Buarque; As praias desertas e Solidão, de Tom Jobim; Dunas, de Rosa Passos; e Nasci para bailar, de João Donato. É bom, de sua autoria, que deverá puxar o próximo disco, está na praia do sambalanço de João Donato, anuncia ela, definindo a canção como mistura de samba com chá-chá-chá.